População do Sudão vive num "inferno", alerta responsável da ONU
- 19/01/2026
"Temos uma população que passou por horrores e pelo inferno", afirmou Volker Türk na sua primeira conferência de imprensa desde o início do conflito, que decorreu em Porto Sudão, cidade e principal porto marítimo do Sudão, nas margens do Mar Vermelho.
Volker Türk mostrou-se alarmado com a "crescente militarização da sociedade por todas as partes", marcada pelo "armamento de civis e recrutamento de crianças".
"É escandaloso", indignou-se Alto Comissário da ONU, referindo que se gastam somas avultadas na aquisição de armas cada vez mais sofisticadas, em particular drones", em vez desse dinheiro ser destinado a aliviar o sofrimento do povo sudanês".
Desde abril de 2023, a guerra que opõe o exército regular aos paramilitares das Forças de Apoio Rápido (FSR) causou dezenas de milhares de mortos e, nos seus momentos mais sombrios, deslocou mais de 14 milhões de pessoas dentro e fora do país, provocando o que a ONU qualificou como a pior crise humanitária do mundo.
Volker Türk condenou a multiplicação dos ataques contra "infraestruturas civis essenciais", nomeadamente hospitais, mercados e escolas, e apelou ao fim dos ataques contra civis. Invocou ainda testemunhos de atrocidades insuportáveis --- civis espancados, mortos, violados ou raptados --- durante a tomada do controlo de Darfur pelas FSR.
Alertou também que estas violações "correm o risco de se repetir" na região vizinha de Cordofão, atual frente de combate.
As Forças de Apoio Rápido sitiam há mais de 19 meses Kadugli, capital do Cordofão do Sul, e na cidade de Dilling, no distrito do Cordofão do Sul e na região das Montanhas Nuba, e cercam há quase um ano Al-Ubayyid, a capital do Cordofão do Norte.
Cordofão é uma região histórica e geográfica no centro do Sudão, atualmente dividida nos estados de Cordofão do Norte, Cordofão do Sul e Cordofão Ocidental, e que se tornou um foco crucial na guerra civil sudanesa de 2023-2025.
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