ONU exorta Irão a evitar "força desproporcionada" após mortes
- 12/01/2026
António Guterres "está impactado pelos relatos de violência e uso excessivo da força das autoridades iranianas contra os manifestantes", o que resultou "em muitas mortes e muitos mais feridos nos últimos dias", indicou o porta-voz do secretário-geral da ONU, Stéphane Dujarric, em comunicado.
"Todos os iranianos deveriam poder expressar as suas queixas pacificamente e sem medo. Os direitos à liberdade de expressão, de associação e de reunião pacífica, consagrados no direito internacional, devem ser plenamente respeitados e protegidos", declarou o porta-voz.
A organização civil Human Rights Activists News Agency (HRANA), sediada nos Estados Unidos, tinha anteriormente elevado para 538 o número de mortos em protestos no Irão, que começaram a 28 de dezembro devido à crise económica e que se têm registado em mais de 100 cidades do país persa.
Além das vítimas, os protestos resultaram na detenção de 10.675 pessoas, incluindo 160 menores de idade e 52 estudantes, de acordo com a HRANA.
Neste contexto, Guterres pediu "máxima moderação" às autoridades do Irão, onde não há internet nem cobertura de telemóvel há mais de 72 horas e escalaram os protestos contra a República Islâmica e o líder supremo iraniano, Ali Khamenei.
"Também urge passos que permitam aceder a informação no país, incluindo o restabelecimento das comunicações", lê-se na breve declaração da ONU.
Um vídeo, que foi publicado 'online' pela primeira vez no sábado e cuja localização foi hoje autenticada pela agência de notícias AFP, mostra dezenas de corpos empilhados à porta de uma morgue a sul de Teerão, que as ONG de defesa dos direitos humanos identificam como vítimas da repressão nos protestos no Irão.
As imagens, geolocalizadas na morgue de Kahrizak, a sul da capital iraniana, mostram dezenas de corpos envoltos em sacos pretos à porta do necrotério e o que parecem ser iranianos à procura dos seus entes queridos desaparecidos.
O presidente norte-americano, Donald Trump, já disse que pondera novas ações militares contra o Irão devido à violência durante os protestos, segundo relatos de hoje da imprensa norte-americana.
O presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, alertou que, em caso de ataque dos Estados Unidos, "tanto os territórios ocupados (de Israel) como todas as instalações, bases e navios militares" norte-americanos e israelitas na região "serão alvos legítimos".
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