Morreu Hessy Taft, a judia que era a bebé ariana perfeita. Tinha 91 anos
- 15/01/2026
Morreu Hessy Levinsons Taft, uma mulher judia que, quando era bebé, foi usada como rosto da propaganda nazi na década de 1930, no passado dia 1 de janeiro. A mulher, cuja imagem foi utilizada para passar o ideal de bebé ariana perfeita, tinha 91 anos.
Nos anos 30, a mãe de Hessy, que tinha apenas seis meses de vida, levou-a ao conceituado fotógrafo alemão, Hans Ballin. Meses depois, Ballin decidiu enviar a fotografia da bebé para um concurso - sem o conhecimento da família - que tinha como objetivo encontrar o bebé ariano perfeito.
E eis que Hessy Taft venceu o concurso e a sua fotografia acabou por aparecer na capa da revista nazi "Sonne ins Haus". A sua imagem circulou por toda a Alemanha como propaganda do Terceiro Reich, com o intuito de mostrar o quão bonitos eram os bebés da raça ariana.
No entanto, o que não se sabia era que os pais de Hessy, Pauline e Jacob Levinson, era dois judeus originários da Letónia. Os pais confrontaram o fotógrafo pelo uso da imagem, que lhes disse quis "deliberadamente incluir a pequena judia como uma piada".
The image on the cover of "Sonne ins Haus" from 1935 features Hessy Taft (née Levinsons), a Jewish baby who was ironically used as a poster child for the ideal Aryan race by the Nazis.
— WW2 The Eastern Front (@ShoahUkraine) May 27, 2024
It just shows you how dumb these racial theories are ! pic.twitter.com/yt9aYw88Yu
De acordo com o The New York Times, os pais de Hessy mudaram-se para Berlim em 1928, uma vez que eram músicos. Após a entrada em vigor da Lei de Nuremberga, em 1935, - uma lei que retirava determinados direitos aos judeus - ficaram sem o emprego que tinham na Ópera de Berlim.
Foi, no entanto, nesse mesmo ano que a fotografia de Hessy foi divulgada na capa a revista nazi. O fotógrafo Hans Ballin sabia que a bebé e os pais eram judeus, mas quis fazer troça dos nazis, tendo enviado a fotografia de Hessy e inventado uma nova identidade.
A mãe de Hessy não terá gostado da 'rebeldia' do fotógrafo, temendo pela vida da família, e pediu-lhe explicações para o facto de a sua filha se ter tornado um símbolo da propaganda nazi.
Em 2014, Hessy Levinsons Taft revelou a história à revista alemã "Bild", tendo depois oferecido um exemplar da "Sonne ins Haus" ao museu do Holocausto em Israel. "Agora já me posso rir, mas, na altura, se os nazis soubessem a verdade, não estaria viva", contou.
"Sinto uma sensação de vingança, uma boa vingança", referiu, na altura.
De notar que o pai de Hessy chegou a ser preso pela Gestapo, em 1938, por acusações de fraude fiscal, mas acabou por ser libertado após o seu contabilista, que era membro do partido Nazi, o ter defendido. A família viria depois a fugir da Alemanha para a Letónia e, mais tarde, para Paris.
No entanto, recorde-se, em 1941, Paris caiu nas mãos dos nazis e a família fugiu, novamente, para Cuba. Oito anos depois, a família mudou-se em definitivo para os Estados Unidos.
De recordar que o partido Nazi foi fundado a 20 de agosto de 1920, em Munique, na Alemanha. Adolf Hitler, que foi chanceler da Alemanha, foi o líder do partido entre os anos de 1921 e 1945.
Os nazis acreditavam que a raça ariana era uma raça superior e, por isso, tentaram exterminar os judeus, homossexuais, ciganos, negros, deficientes físicos e mentais, Testemunhas de Jeovás e adversários políticos.
A perseguição a estas pessoas atingiu o seu auge quando foram assassinados cerca de seis milhões de judeus - conhecido como genocídio.
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