Mercosul. Governo francês supera duas moções de censura contra acordo
- 15/01/2026
Apenas 256 deputados, dos 288 necessários, votaram a favor da moção de censura contra o executivo apresentada pelo partido da esquerda radical França Insubmissa (LFI), enquanto a da União Nacional (extrema-direita) teve ainda menos apoio, 142 parlamentares.
Os dois principais grupos da oposição apresentaram estas moções de censura com o argumento de que o governo e o presidente francês, Emmanuel Macron, não fizeram tudo o que podiam para impedir o acordo com o Mercosul, que contou com a rejeição unânime dos grupos políticos franceses e a forte oposição dos agricultores, expressa em manifestações de rua.
Estas iniciativas tinham poucas hipóteses de avançar, pois não contaram com o apoio dos socialistas e da direita moderada, que se juntaram à coligação 'macronista' para manter o executivo.
Lecornu ganha assim tempo e sai algo reforçado ao mostrar que existe uma maioria na câmara baixa na qual se pode apoiar, sobretudo na procura de acordo para um orçamento para 2026, a prioridade legislativa do chefe do Governo.
O primeiro-ministro francês acusou a oposição de apresentar estas moções de censura para atrasar os debates sobre o orçamento, decisão que tomaram com base "na calúnia".
"A posição de França é a rejeição total da assinatura do tratado", reiterou Lecornu, que pediu para não enganarem os agricultores, que temem pelo futuro das explorações se o acordo com o Mercosul avançar.
Perante aqueles que o acusaram de não ter usado todo o peso da França na UE para impedir um tratado que será assinado no sábado, Lecornu afirmou que a bola está agora nas mãos do Parlamento Europeu.
Por esta razão, pediu unidade dos diferentes grupos para que esta câmara possa apresentar recurso junto do Tribunal de Justiça da UE, o único que pode paralisar a entrada em vigor do tratado.
"Só pode ser travado por um apelo do Parlamento Europeu. Não façam os agricultores acreditar em coisas falsas", disse o governante francês.
Além disso, alertou para o risco de instabilidade imposto por ataques permanentes ao Governo no atual contexto internacional complexo: "Votar a favor de uma moção de censura neste momento teria um impacto pelo qual o povo francês pagaria", afirmou.
A porta-voz da LFI, Mathilde Panot, acusou o Governo de "capitular perante a Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen", e denunciou a detenção de vários agricultores nos protestos, numa repressão que considerou "implacável para defender os interesses do dinheiro".
A deputada de extrema-direita Hélène Laporte acusou Macron de manter "uma posição contraditória" e de não usar todos os instrumentos posssíveis para bloquear o acordo com o Mercosul, incluindo a posição como segundo maior contribuinte para o orçamento da UE.
Os protestos dos agricultores franceses prosseguiam em algumas cidades do país, como Toulouse (sul), onde oito manifestantes foram presos por motins.
O Conselho da União Europeia anunciou na sexta-feira a aprovação do acordo comercial com quatro países do Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai) .
Este acordo, que abrange 700 milhões de cidadãos, vai ser assinado no sábado, no Paraguai, com a presença da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e do presidente do Conselho Europeu, António Costa.
O acordo UE-Mercosul vai permitir aos europeus exportar mais veículos, maquinaria, vinhos e bebidas espirituosas para a América do Sul e facilitar a entrada na Europa de carne, açúcar, arroz, mel e soja.
Leia Também: Mercosul. Costa e von der Leyen reúnem-se com Lula antes da assinatura





.jpg)






















































