EUA alertam Haiti contra alterações no Governo e pedem eleições
- 23/01/2026
Num comunicado divulgado na rede social X, a Embaixada norte-americana em Porto Príncipe afirmou que "os Estados Unidos consideram que qualquer pessoa que apoie uma iniciativa tão desestabilizadora, que favoreça os gangues, estará a agir contra os interesses dos Estados Unidos, da região e do povo haitiano, e tomará as medidas adequadas".
A representação diplomática norte-americana avisou ainda que qualquer mudança precipitada no Governo prejudicaria os esforços para estabelecer "um nível mínimo de segurança e estabilidade" no Haiti, onde a violência dos gangues continua a aumentar e a crise humanitária se agrava.
O comunicado foi divulgado num momento em que se registam divergências entre alguns membros do conselho de transição e o primeiro-ministro, Alix Didier Fils-Aimé, embora as razões do desacordo não tenham sido tornadas públicas, depois de o órgão se ter reunido à porta fechada na manhã de quarta-feira.
O líder do conselho, Laurent Saint-Cyr, afirmou em comunicado que se opõe a qualquer tentativa de minar a estabilidade do Governo antes de 07 de fevereiro, data em que o conselho deverá, em princípio, cessar funções.
"À medida que se aproximam os principais prazos institucionais, qualquer iniciativa que possa alimentar a instabilidade, a confusão ou a quebra de confiança acarreta sérios riscos para o país", escreveu Saint-Cyr, acrescentando que o Haiti "não se pode dar ao luxo de cálculos políticos de curto prazo".
O conselho presidencial de transição, não eleito, está no poder desde abril de 2024, após a demissão do então primeiro-ministro Ariel Henry, na sequência de uma vaga de ataques sem precedentes dos gangues que levaram ao encerramento do principal aeroporto internacional e à paralisação de infraestruturas estratégicas.
O órgão foi criado com o apoio de líderes caribenhos para restaurar alguma estabilidade política após o assassinato do último Presidente eleito do país, Jovenel Moise, em julho de 2021, e teve como missão principal nomear um primeiro-ministro e preparar eleições.
Alix Didier Fils-Aimé, empresário e ex-presidente da Câmara de Comércio e Indústria do Haiti, é o terceiro chefe de Governo escolhido pelo conselho, tendo sido nomeado em novembro de 2025, após a demissão de Garry Conille.
O mandato do conselho está previsto terminar a 07 de fevereiro, prazo definido em 2024 com base no objetivo de organizar eleições gerais, mas não é claro se tal acontecerá, alimentando receios de protestos e de nova instabilidade política.
Entretanto, o Conselho de Segurança das Nações Unidas reuniu-se na quarta-feira para analisar a situação no Haiti.
Num relatório divulgado no mesmo dia, a ONU sublinhou que "as partes interessadas nacionais continuam divididas sobre a arquitetura de governação de transição que deve conduzir o país às eleições".
De acordo com dados das Nações Unidas, os gangues controlam cerca de 90% da capital, Porto Príncipe, e expandiram a sua influência para a região central do país.
Mais de 8.100 homicídios foram registados no Haiti entre janeiro e novembro do ano passado, número que a ONU considera subestimado devido à dificuldade de acesso às zonas dominadas por grupos armados.
A Polícia Nacional do Haiti tem tentado conter a violência com o apoio de uma missão multinacional liderada pela polícia do Quénia e apoiada pela ONU, ainda com meios e financiamento insuficientes.
O Governo haitiano recorreu também a uma empresa militar privada para lançar ataques com 'drones' contra suspeitos de integrarem gangues, operações que provocaram mais de 970 mortos entre março e dezembro do ano passado, incluindo pelo menos 39 civis, entre os quais 16 crianças, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos.
Leia Também: ONU alerta para fase crítica no Haiti. Homicídios aumentaram 20% em 2025





.jpg)






















































