Costa saúda recuo positivo de Trump e quer estabilizar relações com EUA
- 23/01/2026
"O anúncio feito ontem [quarta-feira], de que não haverá novas tarifas dos Estados Unidos sobre a Europa, é positivo [pois] a imposição de tarifas adicionais teria sido incompatível com o acordo comercial entre a UE e os Estados Unidos", declarou António Costa, em conferência de imprensa no final de uma reunião extraordinária do Conselho Europeu, em Bruxelas.
"O nosso foco deve agora ser avançar com a implementação desse acordo, [já que] o objetivo continua a ser a estabilização efetiva das relações comerciais entre a União Europeia e os Estados Unidos", acrescentou, nestas conclusões orais em nome dos 27 chefes de Governo e de Estado da União Europeia (UE).
Os líderes da União Europeia reuniram-se hoje numa cimeira extraordinária em Bruxelas para discutir as relações transatlânticas após ameaças dos Estados Unidos, entretanto retiradas, de impor tarifas a países que se opõem às intenções norte-americanas sobre a Gronelândia.
"A União Europeia continuará a defender os seus interesses e a defender-se a si própria, aos seus Estados-membros, aos seus cidadãos e às suas empresas contra qualquer forma de coação. Tem o poder e os instrumentos para o fazer e fá-lo-á se e quando necessário", avisou António Costa.
Quanto ao futuro das relações transatlânticas, à luz das recentes tensões, o antigo primeiro-ministro português vincou que a UE está "disposta a continuar a colaborar de forma construtiva com os Estados Unidos em todas as questões de interesse comum, incluindo a criação das condições para uma paz justa e duradoura na Ucrânia".
"A União Europeia e os Estados Unidos são parceiros e aliados de longa data [...] e acreditamos que as relações entre parceiros e aliados devem ser geridas de forma cordial e respeitosa", adiantou.
"Acreditamos na relação transatlântica", concluiu ainda António Costa.
Com esta cimeira extraordinária, os chefes de Governo e de Estado dos 27 do bloco europeu quiseram enviar um sinal político forte de unidade, sublinhando que a soberania territorial e a lei internacional são princípios fundamentais da política externa da UE, face às intimidações sobre a Gronelândia, um território autónomo da Dinamarca.
No passado fim de semana, o Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou tarifas (de 10% em fevereiro e de 25% em junho) sobre oito países europeus, entre os quais seis Estados-membros da UE (Dinamarca, Suécia, França, Alemanha, Países Baixos e Finlândia) e dois outros (Noruega e Reino Unido).
Porém, já esta quarta-feira à noite, Trump recuou, ao anunciar um acordo com o secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO), Mark Rutte, sobre a Gronelândia, e a suspender a ameaça de tarifas.
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