Bruxelas avisa que escalada militar no Irão teria "graves repercussões"
- 28/01/2026
Estes avisos foram deixados pelo porta-voz da Comissão Europeia para os Assuntos Externos e Política de Segurança, Anouar El Anouni, na conferência de imprensa diária do executivo comunitário, após ser questionado sobre como é que a União Europeia (UE) está a ver o reforço da presença militar dos Estados Unidos no Médio Oriente e o facto de Donald Trump não descartar uma intervenção militar no Irão.
Sem querer comentar "cenários hipotéticos", Anouar El Anouni avisou contudo que "uma escalada militar poderia ter graves repercussões sobre a estabilidade regional" e defendeu que "é preciso dar uma oportunidade à diplomacia".
"Exortamos todas as partes, tanto os atores estatais como não estatais, a respeitarem o direito internacional, mostrarem contenção e absterem-se de qualquer ação suscetível de criar uma nova escalada no Médio Oriente", afirmou.
O porta-voz da Comissão Europeia salientou ainda que "os princípios do direito internacional e da Carta das Nações Unidas devem ser respeitados em todas as circunstâncias".
O ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araqchi, disse hoje que os Estados Unidos têm de parar de fazer ameaças e criticou o Presidente norte-americano, Donald Trump, que admitiu atacar o Irão.
"Se querem que as negociações se concretizem, terão de parar com as ameaças e as exigências excessivas", disse Araqchi na televisão estatal iraniana, dirigindo-se à Administração norte-americana.
Donald Trump admitiu a possibilidade de negociações, mas ameaçou levar a cabo uma intervenção militar contra o Irão devido à repressão dos protestos na República Islâmica.
Nesse sentido, Washington enviou uma força naval para o Golfo Pérsico. Este destacamento foi ordenado por Donald Trump, que alertou o Irão para que cesse a repressão da vaga de protestos que abalou o país no último mês, enquanto sinalizava a existência de contactos com as autoridades iranianas.
No Irão, 41.880 pessoas foram detidas e milhares de manifestantes morreram, segundo os dados mais recentes da organização não-governamental norte-americana Human Rights Activists.
Outras organizações de defesa dos direitos humanos continuam o trabalho de documentação da repressão, dificultado pelo bloqueio da internet imposto por Teerão desde o passado dia 08 de janeiro.
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