Associação aponta pelo menos 45 mortos em protestos no Irão
- 09/01/2026
De acordo com um novo balanço da organização não-governamental (ONG) Iran Human Rights, oito menores foram contados entre as vítimas mortais.
O diretor da ONG, Mahmood Amiry-Moghaddam, afirmou que a repressão "está a espalhar-se e a tornar-se mais violenta a cada dia", tendo já causado centenas de feridos e mais de 2.000 detenções.
As ONG relataram o uso de gás lacrimogéneo e munições reais para dispersar protestos em várias cidades, sobretudo em Kermanshah e Kamyaran, enquanto em Abadan uma mulher foi atingida no olho por uma bala durante uma manifestação.
A passada quarta-feira foi o dia mais mortífero desde o início das manifestações, com 13 mortos registados num único dia, num movimento de protesto que dura há 12 dias e tem sido marcado por confrontos em várias cidades do país.
As autoridades iranianas e os meios de comunicação estatais reportaram, por seu lado, pelo menos 21 mortos desde o início dos protestos, incluindo membros das forças de segurança, segundo uma contagem da agência de notícias France-Presse.
Entretanto, a Internet foi desligada em todo o Irão neste 12.º dia de protestos contra o Governo, referiu uma ONG citada pela agência de notícias France-Presse.
De acordo com a ONG Netblocks, o país atravessa um "apagão nacional da internet", baseado em dados em tempo real, medida que surge após uma série de restrições digitais cada vez mais rigorosas e que prejudica o direito à comunicação num momento crítico.
Perante a escalada da violência, o Presidente iraniano, Massoud Pezeshkian, apelou para "máxima moderação", defendendo que "todo o comportamento violento ou coercivo deve ser evitado", ao mesmo tempo que pediu diálogo e escuta das reivindicações populares.
Entretanto, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Alemanha, Johann Wadephul, denunciou o "uso excessivo da força" pelas autoridades iranianas contra manifestantes pacíficos e instou Teerão a respeitar as obrigações internacionais.
[Notícia atualizada às 18h51]
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