Após um ano a processar algas, cabo-verdianas colhem tomate e milho

  • 26/01/2026

"Eu já acreditava nesta ideia, mas agora tenho a certeza de resulta: o tomate é excelente, já provei, ao fazer salada e é muito bom", conta à Lusa, no meio de uma parcela de terreno em Moia Moia, onde já apanharam mais de 70 quilos de tomate e muita maçaroca de milho.

 

Ao mesmo tempo fazem medição de vários parâmetros (acidez, humidade, calibre, peso) antes de enviarem amostras para análises detalhadas na Universidade de Iorque, Reino Unido, parceiro científico, para certificação dos produtos.

Um trabalho em conjunto com o Instituto Nacional de Investigação e Desenvolvimento Agrário (INIDA) cabo-verdiano, explica Edita Magileviciute, bióloga marinha e presidente da Associação Cabo-Verdiana de Ecoturimo (Eco-CV), motor do projeto.

A colheita que agora é feita mostra que "a agroecologia funciona, não precisamos de fertilizantes químicos" e até o estrume animal poder ser opcional, "sobretudo nas comunidades costeiras", indica Edita, que mostra pacotes de algas secas nas mãos.

São fertilizantes que as mulheres produzem num pequeno pavilhão e que tanto podem ser secos como líquidos.

De uma ou outra forma, "são mais baratos e, mais importante, mais saudáveis" que quaisquer químicos.

No último ano, contabilizaram-se "mais de 150 toneladas de algas encalhadas" só na baía de Moia Moia, que, "em princípio, são consequência das mudanças climáticas", arrastando-as desde as Caraíbas.

A subida de nível do mar e o aumento de nutrientes fazem com que as algas cresçam mais, desequilibrando ecossistemas em vários pontos do planeta.

"Procurando soluções na componente social, resolvemos problemas ecológicos", assinalou.

O projeto está a transformar um problema numa oportunidade, adaptando a uma comunidade cabo-verdiana um processo que já funcionou noutros países -- onde até se fazem biocombustíveis a partir de algas.

"Esperamos que o projeto vá em frente, para termos mais rendimentos. Somos sete mulheres no mar e no campo, não temos planos para emigrar", conta Leise Fernandes, acrescentando que os maridos apoiam a iniciativa de emancipação feminina.

"Explicámos o que queríamos ir eles entenderam", acrescenta, enquanto ajuda colegas no terreno: além da colheita, há um trabalho metódico em redor de uma tabela de monitorização do crescimento do tomate, onde são registados vários parâmetros.

Maria José Carvalho carrega um analisador de solo, uma régua de precisão e uma fita métrica para verificar valores.

O projeto arrancou no final de 2024, incluiu aulas de natação e identificação de algas e os próximos passos incluem "testes de composição nutritiva e certificação, para os produtos entrarem no mercado", com o objetivo de que a iniciativa seja rentável e autossustentável, refere Edita.

"Criámos uma microempresa liderada por mulheres que preparam tudo", incluindo a metodologia, sobre a qual "podem dar formação" e replicar o projeto com a sigla AMMAR -- Alga Mulher Mar Agricultura Resiliência.

O núcleo passa agora por uma capacitação nas áreas de gestão e informática, "para que, no final de 2026, as mulheres estejam prontas a 100%" para comercializar os produtos agrícolas.

O foco é capacitá-las, torná-las "fortes e independentes" e Edita acredita que o projeto já não vai acabar: "com os resultados positivos que temos, absolutamente, não" - e mesmo que chegasse a um beco sem saída, este grupo já tem conhecimentos para seguir em frente.

A emigração na região, "infelizmente, continua", e até levou dois elementos da equipa no último ano.

"É a realidade", refere Edita, esperando que, quando a empresa começar a ganhar corpo, ajude a "atenuar um bocadinho" a saída de população.

Um dos parceiros mais importantes é a Universidade de Iorque, com um centro de novos produtos agrícolas por onde passam os produtos para análises e testes que não existem em Cabo Verde e que são muito caros.

No arquipélago, o INIDA tem fornecido sementes e colaborado noutros testes e tem havido ainda o envolvimento de associações comunitárias e instituições de ensino superior, como a Universidade Jean Piaget (UniPiaget) e a Universidade de Cabo Verde (UniCV).

Leise Fernandes e as colegas retomam o caminho, porque é preciso fazer de tudo um pouco: apanhar algas, fazer o composto, tratar dos campos experimentais e "ter pensamento positivo".

 

LFO // VM

Lusa/Fim

FONTE: https://www.noticiasaominuto.com/mundo/2926072/apos-um-ano-a-processar-algas-cabo-verdianas-colhem-tomate-e-milho#utm_source=rss-mundo&utm_medium=rss&utm_campaign=rssfeed


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