AFP exige a Israel investigação completa a morte de colaborador em Gaza
- 22/01/2026
Em comunicado, a agência noticiosa francesa manifestou a sua "imensa tristeza" pela morte de Abdul Raouf Shaat, "colaborador assíduo do trabalho da agência durante quase dois anos" e "muito estimado pela equipa da AFP".
"Os seus colegas recordam-no como um homem generoso e profundamente comprometido com o jornalismo", acrescentou a AFP.
Este fotojornalista freelancer de 34 anos foi morto juntamente com os seus colegas Anas Ghneim e Mohammed Salah Qashta na região central da Faixa de Gaza, onde o exército israelita afirmou ter atacado os operadores de um 'drone' considerado suspeito.
"Muitos jornalistas locais foram mortos em Gaza nos últimos dois anos, enquanto continua impossível o livre acesso por jornalistas estrangeiros", afirmou a AFP, que retirou os seus jornalistas de Gaza no início de 2024.
O exército israelita acrescentou que os detalhes do incidente em que morreram os três jornalistas "ainda estão a ser investigados".
"Forças israelitas identificaram vários suspeitos a operar um 'drone' afiliado ao Hamas no centro da Faixa de Gaza", indicou o exército israelita em comunicado, sem fornecer mais pormenores sobre essa alegada ligação.
"Devido à ameaça que o drone representava para as tropas", as forças israelitas "atacaram com precisão os suspeitos que o tinham ativado", acrescentou.
Uma testemunha disse à AFP que os jornalistas utilizavam um 'drone' para filmar a distribuição de ajuda humanitária gerida pelo Comité Egípcio de Socorro, quando foram alvo de um ataque aéreo.
O ataque ocorreu na zona de al-Zahra, e os corpos dos três jornalistas foram "transferidos para o Hospital dos Mártires de al-Aqsa, em Deir el-Balah", indicou em comunicado a Defesa Civil, organização de primeiros socorros que opera sob controlo do movimento palestiniano Hamas.
Em vigor desde 10 de outubro está uma trégua precária na Faixa de Gaza entre Israel e o Hamas, com ambos os lados a acusarem-se mutuamente de a violar.
Segundo o Ministério da Saúde do governo do Hamas em Gaza, outros oito palestinianos também foram hoje mortos em ataques israelitas no território.
O Sindicato dos Jornalistas Palestinianos condenou o ataque "com a mais firme determinação", classificando-o como "uma política sistemática e deliberada levada a cabo pelo ocupante israelita para atingir intencionalmente os jornalistas palestinianos".
Por sua vez, o Comité para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) exigiu já uma "investigação transparente" à morte dos três jornalistas.
"O CPJ condena o ataque israelita a um veículo civil claramente identificado no centro de Gaza, que causou a morte dos fotojornalistas independentes num contexto de um cessar-fogo em vigor", declarou Sara Qudah, diretora para o Médio Oriente do CPJ.
Num comunicado, Qudah sublinhou que Israel, que "possui tecnologia avançada capaz de identificar os alvos", tem a "obrigação, nos termos do direito internacional, de proteger os jornalistas".
O frágil cessar-fogo em Gaza, primeira fase do plano do Presidente norte-americano, Donald Trump, para pôr fim à guerra, tem sido marcado por incidentes diários, enquanto a situação humanitária no território continua crítica.
Quase 470 palestinianos morreram desde o início da trégua, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, sob controlo do Hamas. O exército israelita, por sua vez, indicou que três dos seus soldados foram mortos no mesmo período.
Segundo a organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF), as forças israelitas mataram pelo menos 29 jornalistas palestinianos na Faixa de Gaza entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025.
Desde o início da guerra, desencadeada pelo ataque do Hamas a Israel a 07 de outubro de 2023, mais de 220 jornalistas foram mortos por Israel, tornando o território palestiniano, de longe, o local mais mortal do mundo para a imprensa neste período, afirmam os RSF.
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