UE/Mercosul: Protestos de agricultores espanhóis contra acordo abrandam
- 13/01/2026
Apesar da menor intensidade, agricultores e criadores de gado que lideraram as manifestações admitiram hoje à agência EFE realizar novos protestos, enquanto os camionistas, através das associações Fitrans e Guitrans, reportaram perdas substanciais devido à interrupção do tráfego de mercadorias na fronteira de Irún, entre a região basca (nordeste) e França.
Na autoestrada A-27, foram hoje retirados os tratores que impediam a entrada e saída de camiões do Porto de Tarragona, onde as operações voltaram ao normal.
Nos últimos dias, os protestos reduziram em até 88% o tráfego de camiões em direção ao porto, segundo a EFE.
Também no País Basco, foi reaberta esta manhã a passagem fronteiriça de Biriatou, na autoestrada AP-8, encerrada desde sexta-feira devido aos protestos dos agricultores franceses contra o acordo UE-Mercosul.
Em Gipuzkoa, também voltou ao normal o trânsito na autoestrada AP-8, em direção a França, na qual chegaram a registar-se filas de até 11km perto de Irún.
As organizações bascas ENBA e EHNE e a navarra UAGN convocaram para esta quinta-feira um novo protesto na fronteira de Irún.
O ponto de viragem nos protestos foi uma reunião convocada esta tarde entre o presidente do governo catalão, Salvador Illa, e os líderes do movimento de agricultores Revolta Pagesa, que ameaçam realizar novos bloqueios de estradas caso não recebam um compromisso "claro e firme" contra o acordo.
No domingo, o ministro da Agricultura da Catalunha, Òscar Ordeig, propôs aos agricultores criar um fórum para discutir as suas reivindicações, um fundo económico para os compensar e o financiamento necessário para a Política Agrícola Comum (PAC) para o setor, entre outros pontos.
Na Galiza (noroeste), agricultores e produtores pecuários decidiram também hoje desbloquear a faixa da autoestrada A-52 (conhecida como "Rías Baixas") que tinha sido encerrada após um bloqueio às primeiras horas de sábado.
Mais de uma centena de produtores galegos manifestaram-se esta manhã em A Coruña contra o acordo.
Nas Astúrias, várias organizações agrícolas convocaram para a próxima sexta-feira um protesto com tratores e uma manifestação em Oviedo.
Em França, os agricultores prosseguiram hoje protestos contra o acordo, com bloqueios no porto de Le Havre (noroeste) e na autoestrada A1, a mais movimentada do país, que liga Paris a Lille, entre outros pontos do país.
Por outro lado, a centena de agricultores que desde sexta-feira ocupava a autoestrada A63 --- que liga França a Espanha --- em Bayonne, no departamento dos Pirenéus Atlânticos, suspendeu o bloqueio na última noite, após negociações, conforme anunciado pela câmara municipal.
Manifestações ocorreram em vários países europeus para protestar contra este tratado entre a UE, a Argentina, o Brasil, o Paraguai e o Uruguai, que criará uma das maiores zonas de comércio livre do mundo.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, assinará no sábado, 17 de janeiro, o tratado de livre comércio com o Mercosul, confirmou no domingo a União Europeia (UE).
A UE deu luz verde na sexta-feira ao avanço deste importante acordo comercial com o bloco sul-americano, apesar da oposição de vários países, nomeadamente França, Hungria, Polónia, Irlanda e Áustria.
Fruto de mais de 25 anos de negociações, este acordo é considerado pelos seus defensores como essencial para estimular as exportações, apoiar a economia do continente e reforçar os laços diplomáticos num contexto de incerteza global.
No entanto, o acordo suscitou protestos por parte dos agricultores, que temem um afluxo de carne bovina e outros produtos baratos provenientes da América do Sul.
Leia Também: Ventura diz que acordo do Mercosul vai prejudicar agricultores





.jpg)






















































