Relator europeu pede diálogo e Europa unida perante incerteza das relações com EUA
- 22/01/2026
"É óbvio que estamos a entrar num ano muito agitado e potencialmente turbulento para as relações transatlânticas", afirmou hoje o eurodeputado polaco Michal Szczerba (membro do PPE), numa conferência de imprensa no Parlamento Europeu, reunido esta semana em Estrasburgo, França, assinalando o primeiro ano do segundo mandato de Donald Trump na Casa Branca.
O relator para as relações UE-EUA defende que a Europa "deve ser firme quanto às suas linhas vermelhas: apoio à Ucrânia, autonomia regulatória, integridade territorial e respeito pelo Direito internacional".
"A nossa mensagem para Washington é simples: a Europa quer cooperação e parcerias, mas parcerias entre iguais", destacou.
Szczerba avisou que a estratégia de "apaziguamento" é "sinal de fraqueza" e "apenas traz humilhação".
"Não devemos exagerar, mas devemos estar preparados para responder de forma decisiva (...) A assertividade e autoconfiança europeias são agora essenciais", sustentou, sublinhando: "Este é o momento da Europa".
As relações UE-EUA, disse, serão cada vez mais uma "gestão da incerteza".
"É por isso que precisamos de um diálogo constante", salientou o eurodeputado.
Por seu lado, a Europa deve "construir uma União mais forte e investir mais na sua defesa", além de diversificar as parcerias e "não depender de um único ator", considerou.
"Os Estados Unidos continuam a ser o aliado mais próximo da Europa e o seu parceiro estratégico mais importante. Ao mesmo tempo, esta relação tornou-se menos previsível e mais transacional", referiu.
A Ucrânia "continua a ser o teste definidor das relações transatlânticas e o envolvimento contínuo dos EUA é crucial, mas a Europa deve assumir maior responsabilidade pela sua própria segurança e também pelo apoio" a Kiev, alertou, insistindo: "Não podemos esquecer a Ucrânia, vamos ter o quarto aniversário da guerra e é o tema mais importante".
Ao mesmo tempo, a Europa deve mostrar-se "unida e apoiar" a Dinamarca e a Gronelândia, território autónomo dinamarquês cobiçado por Trump.
"A reivindicação ou pressão territorial não tem lugar entre os aliados. A Europa defende firmemente o Direito internacional, a soberania e a integridade territorial", disse.
Sobre a ameaça de novas tarifas, o relatório lamenta que Washington não tenha respeitado o acordo alcançado no verão passado e defende que, "no caso de novas tarifas", a Comissão Europeia "deve responder com firmeza, anunciando contramedidas específicas", incluindo o instrumento anti-coerção, para rejeitar "políticas extorsivas".
Quanto à Venezuela, a Europa "apoia a democracia, eleições livres e justas, e uma transição democrática pacífica", referiu.
"A UE e os EUA devem trabalhar juntos para apoiar a esperança democrática e as aspirações do povo venezuelano, com pleno respeito pelo direito internacional e pela soberania nacional em todos os momentos. O povo venezuelano deve determinar o seu próprio futuro", sublinhou.
A votação do relatório, prevista para hoje na sessão plenária, foi adiada devido aos mais recentes desenvolvimentos, nomeadamente sobre a Gronelândia e ameaças de novas tarifas sobre oito países europeus, incluindo seis da UE, e tendo em conta a realização, esta semana, do Fórum Económico de Davos, e do Conselho Europeu extraordinário.
"Este relatório é um roteiro claro para o futuro das relações transatlânticas. Queremos a melhor relação possível, preparando diferentes cenários", comentou o autor.
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