Menina de dois anos detida (e transferida ilegalmente) pelo ICE
- 25/01/2026
Depois de terem detido um menino de cinco anos, os agentes do ICE [Serviço de Imigração e Alfândega], voltaram 'à carga': desta vez, uma menina de apenas dois anos foi detida.
A ituação aconteceu na quinta-feira, 22 de janeiro, por volta das 13 horas (hora local), em Minneapolis, no estado do Minnesota. A menor e o pai, identificado como Elvis Joel TE - segundo o jornal The Guardian - estavam a regressar de uma ida ao supermercado quando foram abordados pelos agentes. Na altura, note-se, já tinham estacionado o carro dentro da propriedade em que moravam.
Segundo o relato de uma das advogadas da família, os agentes, que não possuíam um mandado de detenção, invadiram a propriedade, partindo uma das janelas do carro enquanto tanto o pai como a filha ainda estavam no interior.
Da porta de entrada da casa, a mãe da criança terá testemunhado o que aconteceu. Apesar de vários apelos de ambos os pais da menina, os agentes terão recusado que a criança permanecesse em casa com a mãe e acabaram por levar pai e filha num carro do ICE - o qual não teria assento próprio para a menina de dois anos.
A família contactou de imediato advogados, que deram início a um um pedido urgente, exigindo a libertação de Elvis Joel TE e da sua filha.
Pelas 20h10, um juiz federal assinou uma ordem que proibia que o governo transferisse qualquer um dos dois para fora do Minnesota. Pouco depois, foi emitida uma nova ordem para que a menor fosse libertada e ficasse sob custódia de Kira Kelley, a advogada da família, até às 21h30 desse mesmo dia.
Nessa altura, Kelley já tinha obtido a permissão da mãe da criança para ser a guardiã temporária da menina "com o objetivo de recuperar a menor da detenção imigratória".
Na ordem emitida, o juiz federal considerou que a libertação da menina era necessária devido ao "risco de dano irreparável", afirmando que a petição dos advogados da família seria muito provavelmente seria vitoriosa, dada a situação.
"Escusado será dizer, que ela [a menina] não tem qualquer histórico criminal", escreveu o juiz.
Apesar da ordem judicial, pai e filha foram colocados num avião, que partiu pelas 20h30 (20 minutos depois de o documento ser emitido) e foram levados para o estado do Texas.
Desde então, contudo, o ICE terá voltado atrás e tanto o pai como a filha já estão de volta ao estado do Minnesota. Segundo Irina Vaynerman, uma outra advogada da família, a menina de dois anos já foi libertada e está sob a custódia da mãe. O pai continua detido.
"O horror é inimaginável", afirmou ao The Guardian. "A depravação de tudo isto vai para além das palavras", considerou a advogada.
ICE alega que mãe recusou ficar com a menina de dois anos
Em comunicado, o Departamento de Segurança Interna (DHS na sigla em inglês) dos Estados Unidos explicou que uma equipa de patrulha estava a levar a cabo uma "operação de fiscalização direcionada" quando agentes "identificaram" Elvis Joel TJ como um "imigrante ilegal". O DHS alegou que o homem tinha entrado ilegalmente nos Estados Unidos e que na altura da detenção estava a "conduzir de forma imprudente com uma criança" no carro.
Segundo o departamento, o pai da menina terá recusado abrir a porta do carro ou baixar a janela do mesmo e, por isso, foi necessário partir o vidro. Os agentes defendem ainda que "tentaram dar a criança à mãe, que estava na zona, mas ela recusou".
"Os agentes do DHS tomaram conta da criança, cuja mãe se recusou a ficar com ela", continua a mesma nota.
Vaynerman recusou veementemente esta versão dos eventos do ICE, afirmando que era completamente falso que a mãe da menina se tenha recusado a ficar com a filha. A família defende que os agentes não deixaram que o pai deixasse a criança em casa para que ficasse com a sua mãe.
Elvis Joel TE é originalmente do Equador e tem um pedido de asilo pendente nos Estados Unidos, sem qualquer ordem de deportação no seu ficheiro. Já a menina, vive em Minneapolis "desde a sua chegada aos Estados Unidos, quando era recém-nascida".
ICE deteve menino de cinco anos na terça-feira em Minneapolis
O caso acontece pouco depois de o ICE ter detido uma criança de cinco anos, também em Minneapolis, na terça-feira, numa situação com contornos muito semelhantes.
Liam Ramos e o pai também estavam a chegar a casa quando foram abordados pelos agentes do ICE. Na altura, um outro adulto, que vivia com os dois, terá "implorado" para ficar com o menor, mas o pedido terá sido negado pelos agentes federais.
"Eles não vieram para cá ilegalmente. Não são criminosos", afirmou Mark Prokosc, que representa a família. Segundo advogado, não havia nenhuma ordem de deportação contra eles. A família chegou aos Estados Unidos no âmbito de um caso de asilo e o advogado mostrou documentação que prova a entrada legal desta família no país.
Também neste caso, afirmou o DHS, estava a ser levada a cabo "uma operação planeada", desta vez para deter o pai desta criança. O departamento alegou que "não tem uma criança como alvo", mas que o ICE acabou por ficar com Liam depois de o pai ter fugido a pé e abandonado o menor.
No início do ano, agente do ICE matou Renee Good (também em Minneapolis)
Ao longo dos últimos meses, têm sido alguns os casos polémicos que envolvem o ICE e, nestas semanas que passaram, um deles tornou-se mesmo fatal. Foi o que se passou com Nicole Renee Good, uma mulher que foi alvejada quatro vezes após sair com o carro 'virando as costas' aos agentes do ICE.
A situação foi gravada de vários pontos de vista, e levantou dúvidas sobre a necessidade de matar a disparar, já que, aparentemente, o agente do ICE não corria perigo de vida - ao contrário do que foi dito, inclusive, pela administração Trump.
O incidente, note-se, também aconteceu em Minneapolis, e despoletou uma onda de indignação, com dezenas de protestos nas ruas, levando mesmo o presidente norte-americano a ameaçar enviar tropas para a cidade.





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