Menina de 6 anos perde pais, irmão e primo no descarrilamento em Espanha
- 20/01/2026
Foi já durante a noite que dois socorristas encontraram a menina de seis anos a vaguear pelos destroços do descarrilamento. Perdida e aparentemente sozinha, percorria o trilho onde dois comboios saíram dos trilhos e colidiram, causando a morte a, pelo menos, 40 pessoas, em Espanha.
Na estação de Huelva, a sua avó, que se tinha dirigido ao local após saber do acidente, é informada que a neta foi encontrada e que está bem - e a sua esperança aumenta.
A menina de seis anos estava numa viagem de lazer com os pais, o irmão de 12 anos, e o primo, de 23 anos. Tinham ido os cinco até à capital espanhola para ver o Real Madrid, do qual eram adeptos, defrontar o Levante, no sábado - e saíram do jogo de alegres com a vitória do seu clube por dois golos.
No domingo, embarcaram no comboio de alta velocidade da empresa pública Renfe que os levaria de volta a Huelva, onde viviam, sem saber o que os esperava.
Por volta das 19h45 locais (18h45 em Lisboa) um comboio da empresa privada Iryo, que ligava Málaga a Madrid saiu dos carris e veio embater no da Renfe que passava naquele troço, em sentido contrário.
Após o embate, a criança de seis anos terá conseguido sair do comboio destruído por uma janela, conta o El Mundo.
Após ser encontrada, a menina de seis anos foi levada para o hospital, onde levou apenas três pontos na cabeça. No geral, saiu praticamente ilesa do acidente.
Na manhã desta segunda-feira, a esperança voltou a aumentar: receberam a notícia de que o irmão da criança estava também internado e no mesmo hospital.
A informação, contudo, veio-se a saber mais tarde que estava incorreta. Não só o menino não estava naquele hospital - ou em qualquer outro - como tanto ele, os pais da menina e o primo tinham morrido no acidente.
Da família de cinco que foi até Madrid apenas uma regressou.
Os Zamora Álvarez residiam em Aljaraque, perto de Huelva, e eram bastante conhecidos em Punta Umbría. Era lá que tinham uma loja de roupas infantis, bastante popular na comunidade, conta o El País.
"Eram muito queridos", lamentou o governante local, José Carlos Hernández, destacando a forte ligação da família com a população.
Mãe, irmão e primo da família Zamorano Álvarez© @andreikraciun/X
Confirmados 40 mortos. Investigação encontrou junta partida
A família Zamorano Álvarez é apenas uma nas dezenas que foram afetadas pelo descarrilamento que aconteceu na tarde de domingo em Adamuz, Espanha. Até ao momento, já foram confirmadas 40 mortes. Outras 41 pessoas estão internadas, sendo que 12, incluindo um menor, estão nos cuidados intensivos.
A causa do incidente ainda é desconhecida, mas a investigação encontrou esta segunda-feira uma peça que acreditam ser fundamental para apurar o que aconteceu.
Na zona do acidente foi encontrada uma junta partida, que fazia a ligação entre os carris. Segundo a agência Reuters, a equipa que está a investigar o caso, encontrou sinais que indicam que a falha já existia há algum tempo.
A junta defeituosa estaria a criar uma abertura entre as duas partes do carril que, à medida que os comboios de alta velocidade circulavam, ia ficando cada vez maior. Assim sendo, é possível que esta falha entre as duas secções possa estar por detrás do que levou ao descarrilamento dos dois comboios.
Sindicato tinha alertado para "desgaste severo" dos carris
O mais recente desenvolvimento neste caso, vai ao encontro de uma carta conhecida também esta segunda-feira, do sindicato de maquinistas espanhol, o SEMAF. A organização tinha alertado em agosto do ano passado para um "desgaste severo" dos carris naquela zona.
O troço, alegaram numa carta ao Administrador de Infraestruturas Ferroviárias (ADIF), tinha sinais de "desgaste severo dos carris da ferrovia de alta velocidade", com buracos, saliências e desequilíbrios nas linhas elétricas. Segundo o SEMAF, a situação causava avarias frequentes e danificava os comboios que lá circulavam.
Recorde-se que o ministro Transportes, Óscar Puente, considerou, após falar com especialistas, que o acidente "é tremendamente estranho", uma vez que ocorreu "numa reta da linha ferroviária", justificando que o comboio que descarrilou é "praticamente novo, com menos de quatro anos" e a linha férrea também havia sido "renovada".
Adiantou ainda que foram investidos 700 mil euros na renovação das ferrovias e que as melhorias no local onde ocorreu o acidente tinham sido terminadas em maio do ano passado. A missiva do sindicato de maquinistas, recorde-se, é de agosto de 2025.
Sabe-se ainda que a inspeção do comboio que descarrilou, fabricado em 2022, tinha acontecido no dia 15 de janeiro, três dias antes do acidente.





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