Kremlin reconhece vontade de alguns países europeus retomarem diálogo
- 16/01/2026
"Se isso refletir realmente a visão estratégica dos europeus, trata-se de uma evolução positiva da sua posição", declarou aos jornalistas o porta-voz da presidência russa, Dmitri Peskov, afirmando ter "tomado nota das declarações feitas nos últimos dias por vários dirigentes europeus".
"Em Paris, em Roma e até em Berlim, disseram que era necessário falar com os russos para garantir a estabilidade na Europa. Isso corresponde totalmente à nossa visão", prosseguiu Peskov.
Em contrapartida, criticou a posição do Reino Unido, que "permanece, por enquanto, radical" e que "não deseja contribuir para o estabelecimento da paz".
"A posição de Londres é de natureza destrutiva", acrescentou.
No início deste mês, a chefe do Governo italiano, Giorgia Meloni, considerou que "chegou o momento em que a Europa também deve falar com a Rússia", defendendo a criação de um "enviado especial" europeu que permita falar a uma só voz.
O presidente francês, Emmanuel Macron, tinha considerado, em dezembro de 2025, que voltaria a ser "útil" para os europeus "falar com Vladimir Putin", no âmbito de um "diálogo completo com a Rússia".
O chanceler alemão, Friedrich Merz, afirmou, por seu lado, na quarta-feira, que "encontrar um equilíbrio a longo prazo com a Rússia" permitiria à União Europeia (UE) "encarar o futuro com mais confiança".
Os europeus cortaram, em geral, relações com Moscovo, salvo raras exceções, após o início da ofensiva russa em grande escala contra a Ucrânia, em fevereiro de 2022, anunciando a intenção de isolar Vladimir Putin do Ocidente.
O presidente norte-americano, Donald Trump, restabeleceu, contudo, o diálogo com o homólogo russo logo após o regresso à Casa Branca, em janeiro de 2025, com o objetivo de encontrar uma solução para o conflito, promovendo várias conversas telefónicas e uma cimeira presencial no Alasca, em agosto de 2025.
No seio da União Europeia, o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban, e o homólogo eslovaco, Robert Fico, mantiveram sempre o contacto com Putin, para desagrado de Bruxelas.
Macron e o antigo chanceler alemão Olaf Scholz também falaram telefonicamente com Putin, respetivamente em julho de 2025 e em novembro de 2024.
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