Irão: Clérigo exige pena de morte para manifestantes e ameaça Trump
- 16/01/2026
O sermão - que ilustra o endurecimento da linha dura no seio da República Islâmica e que foi transmitido pela rádio estatal iraniana - foi acompanhado por gritos de apoio da assistência, como "hipócritas armados devem ser mortos".
As declarações surgem num contexto em que Trump estabeleceu como "linhas vermelhas" para uma eventual ação militar norte-americana a execução de manifestantes e o assassinato de civis pacíficos no Irão.
Nomeado pelo líder supremo, ayatollah Ali Khamenei, Khatami é membro da Assembleia de Peritos e do Conselho dos Guardiães, dois dos principais órgãos do sistema político iraniano.
No sermão, o clérigo descreveu os manifestantes como "mordomos" do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, e como "soldados de Trump", afirmando que os protestos tinham como objetivo a "desintegração do país".
"Devem esperar uma dura vingança do sistema", defendeu Khatami, dirigindo-se a Trump e a Netanyahu, acrescentando que "americanos e sionistas não devem esperar paz".
As manifestações no Irão começaram a 28 de dezembro, motivadas pela crise económica e pelo colapso do rial, mas transformaram-se rapidamente em protestos que desafiam diretamente o regime teocrático.
O Governo iraniano cortou o acesso à Internet a 08 de janeiro e intensificou a repressão, que, segundo a organização Human Rights Activists, com sede nos Estados Unidos, já provocou pelo menos 2.677 mortos.
No sermão, Khatami apresentou também os primeiros números globais divulgados pelo regime sobre os danos materiais causados pelos protestos.
Segundo o clérigo, 350 mesquitas, 126 salas de oração e 20 outros locais sagrados foram danificados, assim como 80 residências de líderes religiosos responsáveis pelas orações de sexta-feira.
Khatami afirmou ainda que 400 hospitais, 106 ambulâncias, 71 veículos de bombeiros e outros 50 veículos de emergência sofreram danos, sublinhando a dimensão e a violência dos confrontos.
O responsável religioso apelou também à detenção de "todos os indivíduos que apoiem os manifestantes de qualquer forma".
Por ocupar funções oficiais, Khatami terá acesso direto a dados das autoridades, sendo interpretado que a divulgação destas informações num sermão público corresponde a uma forma indireta de comunicação oficial do regime, sem um pronunciamento formal do Governo.
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