Governo sírio e forças curdas aceitam prolongar cessar-fogo
- 24/01/2026
Decretado na terça-feira, o cessar-fogo de quatro dias tem sido globalmente respeitado, numa altura em que as forças curdas enfrentam uma ofensiva do exército no nordeste do país, segundo a agência de notícias France-Presse (AFP).
"O acordo deverá ser prolongado por um mês, sendo uma das razões a conclusão da transferência [para o Iraque] dos prisioneiros membros do Estado Islâmico (EI)", disse uma fonte governamental síria à AFP.
A fonte oficial, tal como as outras fontes, falou sob a condição de não ser identificada por não estar autorizada a contactar meios de comunicação social.
Uma fonte diplomática em Damasco confirmou o prolongamento, "que será de um mês no máximo".
Não houve qualquer anúncio oficial imediato.
Do lado curdo, uma fonte próxima das negociações disse à AFP que o cessar-fogo foi prolongado "até que seja encontrada uma solução política mutuamente aceitável".
A fonte curda não mencionou uma duração específica.
O poder sírio, determinado a estender a autoridade a todo o país, anunciou em 18 de janeiro um acordo com os curdos para permitir a integração das suas instituições civis e militares no Estado.
De acordo com o compromisso, os curdos sírios devem apresentar um plano sobre a integração da sua região no Estado.
Caso se concretize, o acordo pode frustrar as esperanças de autonomia dos curdos, após terem estabelecido uma zona autónoma no norte e nordeste durante a guerra civil (2011-2024).
As Forças Democráticas Sírias (FDS, dominadas pelos curdos) enviaram uma proposta a Damasco através do emissário norte-americano para a Síria, Tom Barrack, disse fonte curda à AFP.
Segundo a mesma fonte, a proposta integra o pedido do Governo para controlar os postos fronteiriços e reclama que as receitas daí provenientes, bem como as do petróleo, sejam atribuídas às regiões de maioria curda.
Retiradas de Alepo no início de janeiro, após combates mortíferos, e das províncias de Raqa e Deir Ezzor esta semana, as FDS, braço armado da administração autónoma curda, recuaram agora para o centro da sua zona, em Hassaké.
Em redor, tomaram posição as tropas do Presidente Ahmad al-Charaa, o líder dos rebeldes que derrubaram o regime de Bashar al-Assad em dezembro de 2024.
Os confrontos dos últimos dias suscitaram preocupações relativamente aos campos de prisioneiros do grupo extremista EI na zona, até agora controlados pelas forças curdas.
O exército sírio retomou o controlo de Al-Hol, o maior campo de detenção de familiares de jihadistas, com mais de 23.000 detidos, enquanto os Estados Unidos começaram a transferir prisioneiros para o Iraque.
As FDS foram a ponta de lança na luta na Síria contra o EI, derrotado em 2019 com o apoio de uma coligação internacional liderada pelos Estados Unidos, que apoiam agora as novas autoridades de Damasco.
As forças curdas capturaram milhares de combatentes do grupo radical também conhecido pelo acrónimo árabe Daesh, que tinha declarado o estabelecimento de um califado entre o Iraque e a Síria.
No processo de transmissão da autoridade dos campos de prisioneiros, alguns dos membros do EI terão fugido, o que suscitou preocupação a nível internacional, incluindo da ONU e da União Europeia.
Entre os milhares de combatentes prisioneiros e familiares, há muitos estrangeiros que se tinham juntado ao EI, incluindo europeus.
O primeiro-ministro do Iraque, Mohammed Shia al-Sudani, apelou na sexta-feira aos países europeus para que repatriem os respetivos cidadãos membros do EI e os levem a tribunal.
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