Futuro presidente do Chile tem dois ex-ministros de Pinochet na equipa
- 21/01/2026
Em causa estão as nomeações de Fernando Rabat, que assumirá em 11 de março o Ministério da Justiça e Direitos Humanos, e de Fernando Barros, que ficará à frente da Defesa e coordenação das Forças Armadas.
Rabat, de 53 anos, é especialista em direito civil e faz parte do escritório de advocacia de Pablo Rodríguez, o falecido líder da Patria y Libertad, uma organização paramilitar de extrema-direita que se opôs com violência política ao governo da Unidad Popular de Salvador Allende (1970-1973).
Académico da Universidade do Desenvolvimento, o futuro ministro integrou as equipas que defenderam o ditador em causas como a "Operação Colombo" (uma montagem sobre o desaparecimento de 119 chilenos) ou o "Caso Riggs", uma investigação sobre a fortuna oculta do general num banco dos Estados Unidos.
"É controverso que Rabat seja ministro da Justiça, considerando a sua ligação com Pablo Rodriguez", disse em declarações à agência EFE Octavio Avendaño, da Universidade do Chile, para quem a nomeação é "um sinal negativo, até mesmo provocador" de Kast, que sucederá ao Presidente Gabriel Boric, um antigo líder estudantil de esquerda.
O académico da Universidade Diego Portales, Rodrigo Espinoza, declarou à EFE que a nomeação do advogado "pode tornar-se um foco de conflito, principalmente com a esquerda".
Rabat terá de enfrentar a crise em que se encontra mergulhado o Poder Judicial chileno e que, recentemente, provocou a destituição de três juízes do Supremo Tribunal e de outros dois juízes do Tribunal de Recurso por casos de corrupção.
Por sua vez, Barros, de 68 anos, independente, mas com laços estreitos com Kast, foi advogado e porta-voz do ditador após a sua detenção em Londres, em 1998.
O futuro ministro da Defesa também defendeu por mais de 30 anos o ex-presidente Sebastián Piñera (2010-2014 e 2018-2022), além de integrar a administração que gere a fortuna milionária da família Piñera.
Atualmente, Barros preside ao conselho de administração da empresa química Oxiquim S.A. e integra os conselhos de administração de outras três grandes empresas e da Universidade Finis Terrae, cargos dos quais terá de renunciar quando assumir o cargo de ministro.
Desde que o nome de Rabat começou a ser ventilado como hipótese para assumir o cargo de ministro da Justiça, as organizações de direitos humanos têm expressado descontentamento e receio de que muitas mudanças sejam feitas numa das pastas mais sensíveis do gabinete, que atualmente está nas mãos do Partido Comunista.
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