Espanha. Sindicato alertou para "desgaste severo" dos carris em agosto
- 20/01/2026
A linha férrea onde dois comboios descarrilaram em Espanha encontrava-se com um desgaste "severo". Quem o disse foi o sindicato de maquinistas espanhol, SEMAF, em agosto de 2025 numa carta enviada ao Administrador de Infraestruturas Ferroviárias (ADIF).
A informação foi avançada pela agência Reuters que escreve que o sindicato alertou a administração ferroviária para o troço, alegando que tinha sinais de "desgaste severo dos carris da ferrovia de alta velocidade", com buracos, saliências e desequilíbrios nas linhas elétricas. Segundo o SEMAF, a situação causava avarias frequentes e danificava os comboios que lá circulavam.
Segundo uma análise do mesmo meio, desde 2022, o ADIF reportou dez 10 vezes problemas relacionados com falhas de sinalização e linhas de energia nas infraestruturas em Adamuz, onde ocorreu o descarrilamento.
A Reuters já contactou o ADIF para esclarecer a situação, mas, até ao momento, não obteve resposta.
Note-se que as causas do acidente ainda estão a ser apuradas por uma comissão especializada e, portanto, ainda não foi determinado o que terá, ao certo, acontecido.
Nuestras labores de investigación, apoyo y seguridad tras el accidente ferroviario de #Adamuz no cesan, el trabajo conjunto con compañeros de emergencias está siendo fundamental. pic.twitter.com/kDRwdiR8sK
— Guardia Civil (@guardiacivil) January 19, 2026
O ministro Transportes, Óscar Puente, considerou, após falar com especialistas, que o acidente "é tremendamente estranho", uma vez que ocorreu "numa reta da linha ferroviária", justificando que o comboio que descarrilou é "praticamente novo, com menos de quatro anos" e a linha férrea também havia sido "renovada".
Adiantou ainda que foram investidos 700 mil euros na renovação das ferrovias e que as melhorias no local onde ocorreu o acidente tinham sido terminadas em maio do ano passado. A missiva do sindicato de maquinistas, recorde-se, é de agosto do ano passado.
Sabe-se ainda que a inspeção do comboio que descarrilou, fabricado em 2022, tinha acontecido no dia 15 de janeiro.
As vítimas mortais e os feridos
Para já, estão confirmadas 39 mortes e 75 pessoas ficaram feridas, sendo que 15 estão em estado grave.
Os meios espanhóis avançam ainda que, até ao momento, cerca de 48 pessoas continuam hospitalizadas, sendo que 11 adultos e duas crianças encontram-se na unidade de cuidados intensivos.
De acordo com o jornal espanhol El País, entre as vítimas mortais está o maquinista do comboio Alvia, de 27 anos. Já o chefe dos Bombeiros de Córdoba explicou que, durante o resgate, havia pessoas presas com cortes, contusões, fraturas expostas e que a destruição do comboio dificultou o acesso às vítimas.
O acidente aconteceu por volta das 19h45 locais (18h45, em Lisboa) quando algumas composições de um comboio da empresa privada Iryo, que ligava Málaga a Madrid, descarrilaram e invadiram outra via, num momento em passava outro comboio, em sentido contrário, da empresa pública Renfe, que fazia a ligação Madrid-Huelva.
As carruagens do comboio Iryo colidiram com os dois primeiros vagões do comboio da Renfe, que foram projetados e caíram por um aterro de cerca de quatro metros.





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