Encontrada junta de carril partida na zona do descarrilamento em Espanha
- 20/01/2026
Foi encontrada esta segunda-feira uma junta de carril partida na zona do descarrilamento de dois comboios de alta velocidade em Adamuz, Espanha, que aconteceu ao final da tarde de domingo.
A informação é avançada pela agência Reuters, que cita uma fonte próxima da investigação.
O mesmo meio explica que os técnicos a analisar a zona do acidente identificaram algum desgaste na junta entre duas secções do carril, que indicava que a falha já existia há algum tempo.
A junta defeituosa criava uma abertura entre as duas partes do carril que, à medida que os comboios de alta velocidade circulavam, ia ficando cada vez maior. Assim sendo, é possível que esta falha entre as duas secções possa estar por detrás do que levou ao descarrilamento dos dois comboios e à morte de, pelo menos, 39 pessoas a bordo - uma delas um dos maquinistas.
Recorde-se de que o acidente aconteceu por volta das 19h45 locais (18h45, em Lisboa) quando algumas composições de um comboio da empresa privada Iryo, que ligava Málaga a Madrid, descarrilaram e invadiram outra via. Nesse momento, passava outro comboio, em sentido contrário, da empresa pública Renfe, que fazia a ligação Madrid-Huelva.
As carruagens do comboio Iryo colidiram com os dois primeiros vagões do comboio da Renfe, que foram projetados e caíram por um aterro de cerca de quatro metros.
A fonte citada pela Reuters preferiu permanecer em anonimato, mas acrescentou ainda que a equipa especializada que está a investigar as causas do acidente acreditam que esta junta é fundamental para determinar o que aconteceu.
Questionada pelo mesmo meio a Comissão de Investigação de Acidentes Ferroviários (CIAF) de Espanha, ainda não respondeu a um pedido de esclarecimento.
Sindicato alertou para "desgaste severo" dos carris em agosto
O mais recente desenvolvimento neste caso, vai ao encontro de uma outra informação conhecida também recentemente de que o sindicato de maquinistas espanhol, o SEMAF, tinha alertado em agosto do ano passado para um "desgaste severo" dos carris naquela zona.
O troço, alegaram numa carta ao Administrador de Infraestruturas Ferroviárias (ADIF), tinha sinais de "desgaste severo dos carris da ferrovia de alta velocidade", com buracos, saliências e desequilíbrios nas linhas elétricas. Segundo o SEMAF, a situação causava avarias frequentes e danificava os comboios que lá circulavam.
Recorde-se que o ministro Transportes, Óscar Puente, considerou, após falar com especialistas, que o acidente "é tremendamente estranho", uma vez que ocorreu "numa reta da linha ferroviária", justificando que o comboio que descarrilou é "praticamente novo, com menos de quatro anos" e a linha férrea também havia sido "renovada".
Adiantou ainda que foram investidos 700 mil euros na renovação das ferrovias e que as melhorias no local onde ocorreu o acidente tinham sido terminadas em maio do ano passado. A missiva do sindicato de maquinistas, recorde-se, é de agosto de 2025.
Sabe-se ainda que a inspeção do comboio que descarrilou, fabricado em 2022, tinha acontecido no dia 15 de janeiro, três dias antes do acidente.
As vítimas mortais e os feridos
Para já, estão confirmadas 39 mortes e 75 pessoas ficaram feridas, sendo que 15 estão em estado grave.
Os meios espanhóis avançam ainda que, até ao momento, cerca de 48 pessoas continuam hospitalizadas, sendo que 11 adultos e duas crianças encontram-se na unidade de cuidados intensivos.
De acordo com o jornal espanhol El País, entre as vítimas mortais está o maquinista do comboio Alvia, de 27 anos. Já o chefe dos Bombeiros de Córdoba explicou que, durante o resgate, havia pessoas presas com cortes, contusões, fraturas expostas e que a destruição do comboio dificultou o acesso às vítimas.
[Notícia atualizada às 16h54]





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