Conheça os quatro órgãos que irão gerir Gaza: O que se sabe?
- 20/01/2026
A composição e as funções concretas, aliás, levantam suspeitas quanto a um plano a longo prazo do presidente norte-americano para criar uma nova ONU.
Junta da Paz, Comité Executivo, Comité Executivo para Gaza e Comité Nacional para a Administração de Gaza são os quatro órgãos que, segundo a Casa Branca, irão compor esse conjunto.
A informação oficial sobre estes organismos é ainda escassa, o que tem gerado confusão quanto às suas designações e atribuições.
Junta da Paz
Este órgão foi anunciado no plano de cessar-fogo para Gaza divulgado pelos Estados Unidos em outubro passado. O plano indicava Trump como presidente e o antigo primeiro-ministro britânico Tony Blair como membro, acrescentando que os "chefes de Estado" que dele fariam parte seriam revelados progressivamente.
Após a passagem para a segunda fase da trégua, a Casa Branca explicou, em comunicado, que a Junta da Paz irá supervisionar a implementação do plano, "mobilizando recursos internacionais e garantindo a responsabilização à medida que Gaza transita do conflito para a paz e o desenvolvimento".
Desde então, vários chefes de Estado têm vindo a anunciar que Trump os convidou a integrar o órgão, entre os quais o russo Vladimir Putin, o turco Recep Tayyip Erdogan, o argentino Javier Milei, o egípcio Abdel Fattah al-Sisi, o canadiano Mark Carney e o paquistanês Shehbaz Sharif.
Os Estados Unidos pretendem que este órgão concorra com a ONU e intervenha noutras crises, da Venezuela à Ucrânia. "O nosso esforço reunirá um distinto grupo de nações dispostas a assumir a nobre responsabilidade de construir uma paz duradoura", lê-se na carta enviada por Trump e divulgada por Milei.
Comité Executivo
No mesmo comunicado, a Casa Branca anunciou a criação de um Comité Executivo inicialmente composto por Blair, pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, pelo enviado especial para Gaza, Steve Witkoff, pelo genro de Trump, Jared Kushner, pelo diretor da Apollo Global Management, Marc Rowan, pelo conselheiro presidencial, Roberto Gabriel, e pelo presidente do Banco Mundial, Ajay Banga.
"Cada membro do Comité Executivo irá supervisionar uma área específica que é fundamental para a estabilização e o sucesso a longo prazo de Gaza", refere a nota, acrescentando que os novos membros serão anunciados posteriormente.
O Comité Executivo integra também o búlgaro Nickolay Mladenov, nomeado Alto Representante para Gaza, que servirá de elo de ligação entre a Junta da Paz e o comité palestiniano responsável pela gestão quotidiana da Faixa.
Comité Executivo para Gaza
Com uma designação muito semelhante à do órgão anterior, a Casa Branca anunciou a criação de um Comité Executivo para Gaza, em apoio do Alto Representante para Gaza e do comité de palestinianos.
Os seus 11 membros iniciais - estando prevista a designação de mais -- são semelhantes aos do Comité Executivo, mas com três exclusões - Rubio, Banga e Gabriel -- e seis inclusões, três das quais suscitaram fortes críticas em Israel: o conselheiro do primeiro-ministro do Qatar, Ali al-Zawad, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Turquia, Hakan Fidan, e o chefe dos serviços de informações egípcios, Hassan Rashad.
Integram ainda este órgão o empresário imobiliário israelo-cipriota Yakir Gabay e as duas únicas mulheres: a ministra da Cooperação Internacional dos Emirados Árabes Unidos, Reem al-Hashimy, e a diplomata neerlandesa Sigrid Kaag.
Comité Nacional para a Administração de Gaza
Segundo o plano de Trump, Gaza "será governada por um comité palestiniano tecnocrático e apolítico, responsável pela gestão diária dos serviços públicos e das autarquias para a população".
Este órgão, designado Comité Nacional para a Administração de Gaza (NCAG, na sigla em inglês) e supervisionado pelos anteriores, é composto por 15 membros, entre os quais apenas uma mulher.
O comité é integrado por palestinianos e liderado pelo engenheiro Ali Shaaz, natural de Khan Yunis (sul da Faixa de Gaza), mas residente na Cisjordânia, que exerceu funções de vice-ministro dos Transportes na década de 1990 na Autoridade Nacional Palestiniana (ANP).
Na sua apresentação no Cairo, foi explicado que o NCAG tem o "mandato de assumir responsabilidades de segurança civil e interna na Faixa de Gaza, bem como de supervisionar a estabilização, a recuperação e a reconstrução, até que a Autoridade Nacional Palestiniana conclua o seu programa de reformas".
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