Cabo Delgado. ACLED estima 6.418 mortos desde o início da insurgência
- 16/01/2026
De acordo com o último relatório da organização de Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos (ACLED, na sigla em inglês), dos 2.298 eventos violentos registados desde outubro de 2017, quando começou a insurgência armada em Cabo Delgado, 2.133 envolveram elementos associados ao Estado Islâmico Moçambique (EIM).
Estes ataques provocaram em oito anos e meio 6.418 mortos, refere no novo balanço, incluindo as 13 vítimas reportadas neste período de cerca de um mês.
"A violência política no norte de Moçambique diminuiu significativamente no final de 2025, sendo dezembro o auge da estação chuvosa, que restringe a mobilidade tanto do EIM, quanto das forças estatais e, consequentemente, sua capacidade de realizar operações", lê-se no relatório do ACLED.
Acrescenta que "apesar dessa diminuição sazonal", forças estatais, tanto moçambicanas quanto ruandesas, que atuam em Cabo Delgado, "entraram em confronto com o EIM ao longo da costa e no interior, indicando uma nova seriedade no enfrentamento do grupo".
Alerta que também a violência em Nampula, província vizinha que regista ataques insurgentes desde setembro, "relacionada a operações estatais contra mineiros, e no distrito de Metuge, em Cabo Delgado, relacionada ao surto de cólera, servem como lembretes de que, longe do conflito, o tecido social do norte de Moçambique permanece frágil".
A província de Cabo Delgado, rica em gás, é alvo de ataques extremistas há oito anos, com o primeiro ataque registado em 05 de outubro de 2017, no distrito de Mocímboa da Praia.
O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, afirmou em 08 de dezembro, em entrevista à Lusa, não descartar uma solução pela via do diálogo para o terrorismo no norte do país, porque o que Moçambique quer "é a paz".
"Vamos continuar a trabalhar e havendo esta linha, esta possibilidade, não há problemas nenhuns que se encontre alguma solução. O que nós queremos é a paz para o povo moçambicano", disse Chapo, no Porto, à entrevista à margem da cimeira com Portugal.
"O que nós queremos é a paz e Moçambique é uma nação com uma experiência extraordinária nesta área. Se se recordar, tivemos uma guerra [entre as forças governamentais e a guerrilha da Renamo] de desestabilização que durou cerca de 16 anos, matou mais de um milhão de pessoas, destruiu bens públicos e privados, mas acabou através do diálogo. Portanto, foi assim que houve a assinatura dos Acordos Gerais de Paz em Roma, a 04 de outubro de 1992", acrescentou.
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