Acordo UE-Mercosul lança mensagem poderosa de "maior mercado do mundo"
- 17/01/2026
"O Acordo UE-Mercosul envia uma mensagem poderosa. Diz: bem-vindos ao maior mercado do mundo e à maior zona de comércio livre do planeta", enfatizou Ursula von der Leyen, no Rio de Janeiro, ao lado do chefe de Estado do Brasil, Lula da Silva, um dos principais impulsionadores para que o acordo fosse finalmente concretizado mais de 25 anos depois.
Num encontro no Palácio do Itamaraty, no Rio de Janeiro, que não contou com a presença do presidente do Conselho Europeu, António Costa, devido ao cancelamento de um voo, a líder europeia sublinhou que o acordo que será assinado sábado representa "a força da amizade e da compreensão entre povos e regiões separados por oceanos" e que é desta forma que se cria "prosperidade real, uma prosperidade partilhada".
Ursula von der Leyen agradeceu aos negociadores e líderes que durante 25 anos trabalharam para que o acordo chegasse a bom porto, mas assumiu que o líder político deste acordo tem um nome: Luiz Inácio Lula da Silva.
"A liderança política, o empenho pessoal e a paixão que demonstrou nas últimas semanas e meses, caro Lula, são verdadeiramente incomparáveis. Por isso, muito obrigada pela forma habilidosa como conduziu as negociações. E por ter concretizado este acordo histórico", enalteceu a responsável europeia.
Quanto ao acordo, Ursula von der Leyen defendeu que este "multiplicará oportunidades como nunca antes", através do "acesso mútuo a mercados estratégicos" com "regras claras e previsíveis".
"A história só será um sucesso completo quando pessoas e empresas puderem sentir os benefícios do nosso acordo. E isso deve acontecer rapidamente. Quando o concretizarmos, será uma história de sucesso escrita por 700 milhões de pessoas", enfatizou.
A assinatura do acordo entre a União Europeia (UE) e os quatro países do Mercosul (Argentina, Brasil Paraguai e Uruguai) vai decorrer em Assunção, após 25 anos de negociações, tendo sido só possível depois de na semana passada os 27 países da União Europeia terem alcançado uma maioria qualificada para validar o acordo, apesar do voto contra de França (principal opositor), da Polónia, da Áustria, da Irlanda e da Hungria, e da abstenção da Bélgica.
Para alcançar esta maioria qualificada foi necessário negociar salvaguardas adicionais para os agricultores europeus, que têm continuado a manifestar-se nos últimos dias contra o acordo, e que serviram para convencer Itália, mas não foram suficientes para que Paris também se juntasse.
O acordo permitirá eliminar tarifas para 91% das exportações da UE para o Mercosul e para 92% das vendas sul-americanas para a Europa, abrindo um mercado conjunto de mais de 700 milhões de consumidores e que, juntos, representam um Produto Interno Bruto (PIB) de aproximadamente 22 biliões de dólares, segundo dados da Comissão Europeia.
A assinatura do acordo comercial contará com, além da presidente da Comissão Europeia e do presidente do Conselho Europeu, dos ministros os Negócios Estrangeiros dos países que compõem o Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) e ainda do atual líder do bloco sul-americano, o Presidente do Paraguai, Santiago Peña.
O acordo permitirá eliminar tarifas para 91% das exportações da UE para o Mercosul e para 92% das vendas sul-americanas para a Europa, abrindo um mercado conjunto de mais de 700 milhões de consumidores, segundo dados da Comissão Europeia.
Para a União Europeia, o tratado abre as portas de um mercado historicamente protegido aos seus setores industriais mais competitivos, como a indústria automóvel e a maquinaria industrial, onde as atuais tarifas entre 35% e 14% desaparecerão progressivamente.
Outros setores que beneficiarão de forma especial serão o químico e o farmacêutico, bem como produtos agroalimentares protegidos por denominações de origem, como os vinhos e os queijos.
[Notícia atualizada às 18h50]
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